quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SAI O MENSALÃO ENTRA O ROSEGATE

 


*Enviado por Ricardo Noblat - * 29.11.2012

Curioso. Líderes do PT dizem não ser "adequado" ligar Lula a Rosemary Nóvoa
de Noronha, indiciada na semana passada pela Polícia Federal por crime de
corrupção ativa, e ameaçada de ser presa a qualquer momento.

Ora, pois. Por que não seria adequado?

Foi Lula que escolheu a moça para ser sua secretária depois de ela ter
secretariado durante 12 anos o ex-ministro José Dirceu. Rosemary era
reconhecidamente uma moça prendada.

Foi Lula que mais tarde nomeou a moça para a chefia do gabinete da
presidência da República, em São Paulo. Ali quem desejava vê-lo tinha de
passar antes pelo crivo de Rosemary, a dona da maçaneta da porta
presidencial.

Foi Lula, apesar de dispor de gente habilitada para isso em Brasília, quem
incumbiu Rosemary de acompanhá-lo em viagens a 24 países entre 2008 e 2009
- em média uma por mês.

Foi Lula que forçou o Senado a desrespeitar o seu próprio regimento interno
para que Paulo Vieira, indicado por Rosemary, ganhasse uma das diretorias
da Agência Nacional de Águas (ANA).

Foi Lula, mais uma vez acionado por Rosemary, que também empregou Rubens,
irmão de Paulo, como diretor da Agência Nacional de Avião Civil.

Paulo está preso desde a semana passada, apontado pela Polícia Federal como
chefe de uma quadrilha que fraudava pareceres técnicos de agências
reguladoras e de órgãos federais.

Rubens também está preso por fazer parte da quadrilha, assim como outro
irmão dele, o empresário Marcelo Rodrigues.

Foi Lula que interferiu junto a Dilma para que Rosemary permanecesse como
chefe do gabinete da presidência, em São Paulo.

A Polícia Federal gravou 122 telefonemas trocados entre Lula e Rosemary de
março do ano passado a outubro deste ano. Uma média de seis ligações por
mês. Fora e-mails passados por Rosemary com referências a Lula.

Sabe como Rosemary chamava Lula? De presidente? Não. José Dirceu chamava
Lula de presidente. Antonio Palocci chamava Lula de presidente. Gilberto
Carvalho, idem. Rosemary chamava Lula de "Luiz Inácio". E ainda chama.

Quem reclamava da sua falta de cerimônia no tratamento conferido ao
presidente da República, ouvia dela muitas vezes: "Tenho intimidade com
ele. Trato como quero. E daí?".

Não exagerava. Com frequência, sempre que viajava ao exterior acompanhando
Lula, Rosemary se hospedava em apartamento próximo ao dele. Assim poderia
atendê-lo com a presteza necessária.

Como, portanto, não seria adequado ligar Lula a Rosemary?

Não separe o que o destino uniu!

Lula deu uma de fraco, de cínico e de dissimulado ao comentar a propósito
da enrascada em que Rosemary se meteu: "Eu me sinto apunhalado pelas
costas".

Que falta de originalidade!

Quando estourou o escândalo do mensalão e Lula falou em cadeia nacional de
rádio e de televisão para pedir desculpas aos brasileiros, ele disse que
fora traído. E acrescentou:

- Fui apunhalado pelas costas.

Sob a ótica religiosa, Lula é o São Sebastião da política nacional,
flechado por todos os lados. Sob a ótica pagã, é o Tufão, personagem da
novela "Avenida Brasil", enganado pelas mulheres.

Rosemary leva vida modesta. Empregou o marido e uma filha no governo, mas
não tem dinheiro para fazer face a uma eventual emergência médica, por
exemplo.

Na condição de interlocutora privilegiada de Lula, recebia mimos aqui e
acolá. Eram retribuições de favores que ela fazia. Nada de grande valor. E,
no entanto, em pedindo tudo lhe seria dado. Quem duvida?

Ela pediu para Paulo Vieira o emprego na ANA. Mas quem pediu a Rosemary
para que pedisse a Lula o emprego almejado por Paulo?

Carlos Minc, na época ministro do Meio Ambiente, sugerira a Lula o nome de
uma técnica para a vaga que acabaria ocupada por Paulo. Lula desprezou a
sugestão de Minc. Que no último fim de semana fez uma espantosa confissão:

- Naquela época, o nome desse cara (Paulo Vieira) já não cheirava bem.

Por que Minc não procurou Lula naquela época para adverti-lo de que o nome
de Paulo cheirava mal? Por que Minc não conta agora o que sabia a respeito
dele?

Por que Lula não explica seu esforço para emplacar Paulo na ANA?

Ao chegar no Senado o nome de Paulo, líderes do PMDB procuraram líderes do
DEM e do PSDB e propuseram:

- Vamos derrubar a indicação?

"Eu topei porque meu negócio como líder do DEM era derrotar o governo
sempre que pudesse", relembra José Agripino Maia (RN), hoje presidente do
partido. Pelo mesmo motivo, topou o líder do PSDB, Arthur Virgílio.

Na votação em plenário deu empate. No mesmo dia, ao se repetir a votação, a
indicação foi derrotada pela diferença de um voto. Não poderia haver uma
terceira votação, segundo a Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Dali a quatro meses houve, sim, por insistência de Lula. O DEM e o PSDB
foram pegos de surpresa. O PMDB havia sido apaziguado por ação direta dos
senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL).

A sombra de José Dirceu pesa sobre a história investigada pela Polícia
Federal desde o ano passado, revela a procuradora federal Suzana Fairbanks.

Em 2003, primeiro ano do primeiro governo Lula, Paulo Vieira filiou-se ao
PT. No ano seguinte, teve 55 votos e não se elegeu vereador em Gavião
Peixoto, cidade de menos de cinco mil habitantes a 310 quilômetros da
capital paulista.

Paulo tirou a sorte grande em 2005: foi nomeado pelo então ministro chefe
da Casa Civil José Dirceu para o cargo de assessor especial de controle
interno do Ministério da Educação.

Rosemary sempre recorria a Dirceu para atender interesses da quadrilha
comandada por Paulo, assegura a procuradora Fairbanks. Costumava citá-lo
como "JD".

Paulo usou o nome de Dirceu para tentar obter a ajuda de Cyonil da Cunha
Borges, auditor do Tribunal da Contas da União e, ao fim e ao cabo, delator
do esquema desmontado pela Polícia Federal.

Cyonil chegou a receber R$ 100 mil dos R$ 300 mil que Paulo lhe prometera
em troca de um parecer favorável à Tecondi, empresa que opera no Porto de
Santos. Dirceu prestava consultoria à empresa, de acordo com Paulo.

Como os R$ 200 mil restantes não lhe foram pagos, Cyonil bateu às portas da
Polícia Federal, devolveu os R$ 100 que embolsara e entregou todo mundo.

Dirceu nega tudo.

Lula nada diz.

Rosemary jura inocência e ameaça falar caso seja presa.

Sai de cena o Escândalo do Mensalão.

Entra o Rosegate. Alguma sugestão melhor de nome?

 

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