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"EU DESCONFIO DE TODO O IDEALISTA QUE LUCRA COM SEU IDEAL" (Milor Fernandes).

segunda-feira, 25 de maio de 2026

TEXTO DE SIMONE WARKEN - REPASSANDO

AMIGOS.

RFECEBI E ESTOU REPASSANDO.

TEXTO DE SIMONE WARKEN.

"Pabllo Vittar reclamou da falta de apoio. 
Disse que a comunidade LGBTQIA........................................................................................+ foi abandonada.
E talvez tenha sido mesmo, pelas mesmas empresas capitalistas que essa militância passou anos demonizando.

As empresas “só pensam em dinheiro”, disseram.
Sim. Empresas existem pra lucrar. Isso não é segredo, nem conspiração. É literalmente o funcionamento delas. 
Quando uma marca apoia uma causa, ela calcula retorno, aceitação pública, impacto na imagem, mercado. 
Não é revolução ideológica: é estratégia comercial.

E o choque agora veio justamente daí.
Porque as empresas capitalistas não deixaram de “bancar a causa” por consciência social repentina ou preconceito escondido. 
Muitas simplesmente perceberam que estavam perdendo mais dinheiro do que lucrando. Descobriram que militância barulhenta na internet nem sempre representa a maioria das pessoas que consomem, trabalham, sustentam famílias e, no fim das contas, pagam a conta.

E talvez exista uma diferença que muita gente ignorou durante anos: Conservadorismo não é “onda”. Não é trend. Não é estética de rede social. 
Conservadorismo está ligado a costumes, valores, limites, responsabilidade, tradição, família, ordem e estabilidade social. Pode ser criticado, claro. Mas continua sendo a forma como milhões de pessoas vivem suas vidas silenciosamente, longe do ativismo performático da internet.

São essas pessoas que acordam cedo, trabalham, pagam impostos, sustentam negócios, criam filhos e movimentam a economia real.

Então talvez as empresas não tenham abandonado ninguém. 
Talvez apenas tenham largado mão da moda pra voltar ao chão da coerência. Porque marketing identitário funciona enquanto gera lucro e aprovação. Quando começa a afastar consumidores e criar rejeição, o entusiasmo desaparece rapidamente.

Curioso é ver gente que despreza tanto o lucro, depender justamente dele pra validar suas pautas.

Enquanto isso, seguimos vivendo num país onde parte da esquerda trata prosperidade quase como ameaça. Porque uma população independente, crítica, trabalhando, crescendo e conseguindo viver sem depender de promessas políticas é muito mais difícil de manipular. 
Afinal, quem compra discursos messiânicos quando a própria vida está funcionando? Quem ainda acredita em salvadores quando percebe que esforço, estabilidade e responsabilidade também geram resultado?

E então tudo vira uma enorme confusão emocional disfarçada de consciência social.

A palavra “respeito”, por exemplo, perdeu completamente o sentido.

Respeito não é imposição no grito e não deveria nascer do medo de discordar. 
Respeito sempre foi algo construído na convivência, na reciprocidade, no limite, no entendimento de que existem pessoas diferentes, culturas diferentes, crenças diferentes e formas diferentes de viver.

Respeitar alguém não significa concordar com tudo o que a pessoa  faz.
E discordar de alguém não deveria transformar automaticamente essa pessoa em inimiga.

Mas o debate foi sequestrado pelo exagero.

Muita gente deixou de enxergar indivíduos e passou a enxergar caricaturas. 
Conservadores viraram monstros ignorantes. Religiosos viraram motivo de deboche. Famílias comuns passaram a ser tratadas como atrasadas simplesmente porque não concordam com determinadas pautas ou não querem certos temas sendo empurrados pra crianças e adolescentes.

Ao mesmo tempo, manifestações que poderiam promover diálogo muitas vezes viraram espetáculo de provocação. Gente berrando, atacando símbolos religiosos, transformando a fé alheia em piada, usando choque e vulgaridade como ferramenta política e depois exigindo respeito imediato de quem foi ofendido.

Respeito não nasce da humilhação do outro. Não nasce da imposição.
Muito menos da agressividade.

Liberdade não é poder fazer qualquer coisa sem consequência social. E convivência não funciona quando um grupo acredita que só ele pode falar, provocar, ironizar e ultrapassar limites, enquanto todos os outros precisam permanecer em silêncio pra parecer “evoluídos”.

No fim, talvez o maior problema de muitos movimentos modernos seja justamente esse: pedem tolerância sem tolerar ninguém. Exigem empatia enquanto ridicularizam quem pensa diferente deles. Falam em amor, mas operam através do constrangimento, da intimidação e da hostilidade moral.

Nenhuma causa sobrevive por muito tempo quando abandona o equilíbrio, o bom senso e a capacidade de enxergar humanidade até em quem discorda dela.

Porque no fim, nenhuma sociedade se destrói por excesso de diferença. 
Ela se destrói quando perde a capacidade de conviver com elas e se utiliza dessas diferenças pra transformar tudo em guerra, espetáculo e imposição.

Causar menos. Respeitar mais. 
Porque quem tem bons argumentos não precisa gritar tanto."

(Simone Warken).

Abraço.
Paulo Coimbra
Maio/2026

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